sábado, 23 de abril de 2011

O SÁBADO SANTO E O SENTIDO DA PÁSCOA


No Sábado Santo, com a chegada da noite, entramos no coração das celebrações da Semana Santa! É a hora da Grande Vigília, a Vigília Pascal, que Sto. Agostinho (+ 430 d.C.) chamava a Mãe de todas as Vigílias!
Para os primeiros Cristãos, a Páscoa não era apenas uma Festa entre tantas outras, mas era a Festa das Festas! É assim que é até hoje! A maior Festa da Igreja Católica não é a Festa do Padroeiro (a), mesmo de Nossa Senhora! Não é a Festa do Natal, que é o começo de nossa Salvação! Não é a Festa de Pentecostes, que é complemento da Páscoa! A maior Festa da Igreja Católica é a Festa da Páscoa! Somos uma Igreja Pascal!
A Liturgia da Vigília Pascal, riquíssima, divide-se em quatro partes:
1) Bênção do Fogo e do Círio Pascal, que simbolizam o Cristo Ressuscitado;
2) Liturgia da Palavra, com várias leituras do Antigo e Novo Testamento, que resumem a História da Salvação;
3) Liturgia Baptismal: na Igreja Primitiva, o Baptismo dos Catecúmenos Adultos era feito na Vigília Pascal, depois de longa preparação;
4) Liturgia Eucarística: segue-se, então a Missa com procissão das Ofertas.
Eis uma pergunta que sempre é feita: porque é que a Festa da Páscoa é móvel: não cai sempre no mesmo dia de um mês? A Resposta: - porque os Cristãos herdaram dos Judeus a data da Páscoa, que é no Domingo depois da primeira Lua Cheia da Primavera (na Europa e no Ocidente). Para nós, no Hemisfério Sul, a Páscoa é no Domingo depois da primeira Lua Cheia do Outono. Com a Páscoa variam as Festas da: Ascensão do Senhor, Pentecostes, Corpus Christi (Corpo de Deus) e Sagrado Coração de Jesus.
A Páscoa tal como a celebramos hoje
Após uma disputa seríssima sobre o assunto entre a Igreja do Oriente e do Ocidente, venceu Roma pelo Concílio de Niceia em 325. Tudo começa com a controvérsia Quartodecímana, ou do décimo quarto dia, a disputa sobre a celebração da Páscoa lançou a Igreja da Ásia Menor contra a Igreja de Roma. A Igreja Oriental comemorava a Páscoa com uma vigília na mesma noite em que se celebrava a Páscoa judaica, independentemente do dia da semana em que caía. O costume romano também observado em alguns lugares da Ásia Menor, defendia que a Páscoa caía no domingo seguinte da Páscoa judaica. Após longas disputas e discussões sem conclusões absolutamente nenhumas e com uma grande confusão em toda a Igreja (uns a celebrar a ressurreição outros ainda a fazer jejum...), a Igreja de Roma, com a afirmação cada vez mais forte do bispo de Roma, as coisas serenaram e foi definido no Concílio de Niceia em 325 a celebração da Páscoa tal como a temos ainda hoje...
A CELEBRAÇÃO DO SÁBADO DE ALELUIA
O Círio Pascal
O Tempo da Páscoa ou Tempo Pascal vai do domingo da Páscoa até à Solenidade de Pentecostes (Festa do Espírito Santo). Durante este período, o círio pascal (aquela vela grande que é acesa durante a Vigília Pascal, no Sábado de Aleluia) fica junto ao altar e sempre é aceso novamente durante as Santas Missas e Baptismos. Ele representa Jesus Ressuscitado, que é a Luz do Mundo!
Passemos à leitura de um artigo explicativo interessante:
"EIS A LUZ DE CRISTO! DEMOS GRAÇAS A DEUS!
GRANDE VELA é o CÍRIO PASCAL: simboliza, recorda, faz a memória da pessoa de Jesus Cristo ressuscitado.
O CÍRIO PASCAL
É preparado, abençoado, aceso e conduzido para a Igreja na Santa Vigília Pascal.
A grande celebração da Vigília Pascal se inicia normalmente com a bênção do "FOGO NOVO". Este FOGO NOVO, FOGO DA PÁSCOA, FOGO QUE QUEIMA, ILUMINA e AQUECE, recebe uma bênção especial, antes de ser aceso o CÍRIO PASCAL.
É como uma chama do FOGO NOVO ABENÇOADO que o CÍRIO é aceso. Terminada a preparação do CÍRIO PASCAL, inicia-se a procissão para introduzi-lo solenemente no interior da Igreja. Apagam-se todas as luzes para deixar o ambiente completamente escuro e eis o significado: a Igreja toda às escuras simboliza o mundo em trevas, o mundo sem Deus, sem Jesus, sem o Evangelho. Nesta escuridão do mundo brilhou e brilha uma única luz verdadeira, a luz de Jesus ressuscitado, simbolizada pela Luz do CÍRIO PASCAL.
O CÍRIO, é aceso e elevado e apresentado aos fiéis reunidos através do cântico: "Eis a Luz de Cristo!" Os fiéis voltam-se para o CÍRIO e cantam: "Demos Graças a Deus!" O sacerdote prossegue até o centro da Igreja, faz novo anúncio e os fiéis respondem com o mesmo canto, em frente ao altar. O sacerdote coloca o CÍRIO num pedestal e incensa para significar a adoração que os fiéis prestam ao Ressuscitado. Logo a seguir. É cantado o "Exultet" (de alegria) ou o Precónio Pascal (ou seja, pregação resumida sobre a História da Salvação, desde a Criação até à Ressurreição de Jesus Cristo).
Agora vamos ver o significado dos sinais, números e letras que decoram o CÍRIO PASCAL:
A CRUZ: A cruz encravada no CÍRIO, em geral de cor vermelha, lembra a Cruz de Jesus Cristo. Jesus e Cruz mantêm um vínculo indestrutível. Ao traçar a Cruz sobre o CÍRIO o celebrante diz: (no vertical) "Cristo, ontem e hoje, (no horizontal) princípio e fim".
AS LETRAS: As duas letras colocadas ao alto e em baixo da Cruz, o Alfa e o Ómega, são a primeira e a última letra do alfabeto grego. Ao cravar as duas letras o celebrante diz: "ALFA E ÓMEGA", quer dizer, "PRINCÍPIO E FIM".
O NÚMERO: O número 2011, que varia conforme o ano corrente, é a afirmação que Jesus é o mesmo, ontem, hoje e para sempre: O nº (2) A Ele é o tempo, o nº (0) é a eternidade, o nº (1) A glória e o poder e o nº (1) pelos séculos. Amem.
AS BOLINHAS (feitas de cera e grãos de incenso): As cinco bolas que são afixadas à cruz, uma ao alto, outra ao centro, outra em baixo e as outras duas nos dois braços da cruz, simbolizam as cinco chagas de Jesus Cristo. O celebrante diz: (ao alto da cruz) "por suas Santas Chagas", (ao centro) "suas Gloriosas Chagas", (em baixo) "o Cristo Senhor", (à esquerda) "nos proteja", (à direita) "e nos guarde. Amem".
"A ELE O TEMPO E O PODER PELOS DOS SÉCULOS. AMÉM". FELIZ PÁSCOA E TEMPO PASCAL!

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